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sábado, outubro 07, 2006

OS PADRINHOS DO RIO ITAPOCU.


WEG patrocina cartilha rio Itapocu Diario Catarinense 05 out 2006

Conhecer detalhes sobre o Rio Itapocu, seus problemas e a importância de preservar a florestas são as principais informações reunidas na cartilha Bacia Hidrográfica do Rio Irapocu, realizada pela Instituto Rã-Bugio, uma ONG sediada em Jaraguá do Sul.
O material passou a ser distribuído, ontem, aos alunos da 5ª e 8ª série do ensino fundamental da região do Vale do Itapocu. A edição de 5 mil exemplares foi patrocinada pelo empresa WEG Motores.
Em maio, a Rã-Bugio lançou a primeira cartilha que faz parte do projeto Chico Mendes. Os alunos da região tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o meio ambiente através do material Mata Atlântica-Essencial para a Vida. Foram distribuídos 4 mil cartilhas patrocinadas pela Celesc. Em 2001, o Instituto confeccionou a cartilha Sapos, Rãs e Pererecas: Guardiões da Natureza. Na época, foi lançado um concurso sobre o mesmo tema despertando o interesse de 5 mil estudantes da região.
A cartilha distribuída contém 28 páginas e foi produzida pela diretora executiva da Rã-Bugio Elza Nishimura Woehl, pelo dirigente do Instituto, Germano Woehl, e pela bióloga Cibele Kamchen. Além dos ensinamentos científicos, o material trata dos principais problemas da DEGRADAÇÃO que afetam a produção e qualidade da água que abastece a população da região. Dicas sobre experiências que alunos podem fazer. A cartilha revela, também, experiências que podem ser realizadas pelos alunos para verificar a qualidade da água do rio.
A diretora explica que o aluno pode ferver um repolho roxo e misturar a água com um pouco da água do rio. Se a água continuar neutra,significa que está ácida, se a cor estiver azul, revela conter soda cáustica. Elza explica que o principal problema, hoje, da Bacia do Rio Itapocu, está na falta de preservação das nascentes e na falta da mata nativa, além da poluição industrial e doméstica. Na nascente do Rio Itapocu, em Corupá, não se vê mata nativa, só plantação de banana, fato que não resolve o problema. Se o rio, por exemplo, tiver 10 metros de largura, o ideal era ter 30 metros de mata de cada lado e isso não ocorre - disse.

visite o site:

www.ra-bugio.org.br

Comunidade Rã bugio no orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2078146

Regina Helena Porto FranciscoProfessora Dra. do IQSC-USP - Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo, esclarece algumas questões sobre o MEIO AMBIENTE e a CHUVA ÁCIDA.

Há um número enorme de problemas que devem ser pensados e discutidos. Vamos abordar aqui apenas um deles: o da chuva ácida, que já causou muitos danos aqui no Brasil, principalmente na Serra do Mar, na região de Cubatão, no estado de São Paulo, onde a floresta foi devastada por vários motivos, inclusive por este fenômeno.
Normalmente, a chuva é fracamente ácida, com pH de 5,7 devido à presença de ácido carbônico, H2CO3, que resulta da combinação do gás carbônico, CO2, com água, H2O. O ácido carbônico é um ácido fraco que não é prejudicial ao ambiente.
Entretanto, vários outros gases, que são produzidos em inúmeros processos químicos, ao se dissolverem na água que compõe as nuvens, formam outros ácidos, muito mais fortes e prejudiciais.
O fenômeno da chuva ácida é, principalmente, local, pois a composição da chuva depende dos poluentes lançados naquele mesmo lugar. Algumas vezes, as nuvens poluídas se deslocam, regando áreas mais afastadas com sua água ácida.
Os principais agentes poluidores, típicos de regiões altamente industrializadas, são os óxidos de enxofre e nitrogênio, que, dissolvidos em água, formam os ácidos sulfúrico e nítrico.
Em ambientes quentes, como dentro de motores de carros, o oxigênio e o nitrogênio do ar se combinam, formando esses óxidos de nitrogênio. Neste ambiente de ar aquecido, forma-se monóxido de nitrogênio (NO). Este composto se combina rapidamente com o oxigênio do ar, transformando-se em dióxido de nitrogênio (NO2). O NO2 é tem bastante afinidade por água, e nela passa à forma de ácido nítrico (HNO3), um ácido forte e bastante prejudicial ao ambiente.
Os catalisadores presentes nos carros hoje em dia transformam boa parte do óxido de nitrogênio novamente em nitrogênio gasoso, exatamente como ele era antes de entrar no motor do automóvel.
Já o SO2, o dióxido de enxofre, é gerado na queima de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo. Este gás também se dissolve facilmente na água, gerando ácido sulfúrico (H2SO4), que também é forte. Se o SO2 está em grande quantidade no ar, ele tem tempo de se combinar com o oxigênio, formando trióxido de enxofre (SO3), que se dissolve ainda mais facilmente na água e produz ácido sulfúrico mais concentrado.
Todos esses ácidos fortes se acumulam nas nuvens. A chuva que essas nuvens faz cair é, na verdade, uma solução muito ácida, e que acaba alterando o equilíbrio químico do solo.
Uma das conseqüências diretas é a diminuição do cálcio disponível, um elemento metálico fundamental para as plantas. Isto afeta muito mais as áreas de florestas nativas que as áreas de agricultura. Nas áreas cultivadas, os donos da plantação continuamente examinam a acidez do solo, e, caso o pH esteja muito baixo (solo muito ácido), ele pode ser corrigido com a aplicação de fertilizantes. Esse monitoramento não ocorre nas outras áreas verdes, como as florestas.
O cálcio contido no solo está intercalado entre as camadas de silicatos das argilas. As argilas apresentam uma propriedade química chamada "troca iônica". Neste processo, os ácidos "empurram" íons de hidrogênio às argilas, que acabam liberando os íons de cálcio que existem naturalmente no solo. Quando combinado desta nova forma, o cálcio se torna pouco útil para a planta, que passa a ter muita dificuldade de absorvê-lo. Quando o ácido presente é o ácido sulfúrico, isto se torna ainda mais grave, pois há a formação de sulfato de cálcio (CaSO4), um sal que não se dissolve na água, e que, portanto, as plantas não conseguem consumir.
A diminuição do cálcio no solo afeta a vida dos seres que vivem nessas terras. Um exemplo foi observado em 1989, no norte da Europa, quando cientistas holandeses perceberam que pássaros silvestres daquela região estavam produzindo ovos com a casca muito fina e porosa, ou seja, frágeis. O problema seria a deficiência de cálcio, um dos principais elementos presente na casca dos ovos.
A principal fonte de cálcio na alimentação dos pássaros eram alguns moluscos (como caracóis, por exemplo). Verificou-se que a população de moluscos estava desaparecendo - por causa da falta de cálcio. Normalmente uma floresta tem de 5 a 10 gramas de cálcio solúvel por quilograma de solo. Aquela região tinha menos de 10% dessa quantidade. Com o desaparecimento dos moluscos, os pássaros passaram a se alimentar de restos em fazendas da região, ou de sobras de piqueniques. Uma dieta muito pobre em cálcio.
Uma das grandes dificuldades nas questões ambientais é exatamente conscientizar a população de que, para cada ação existe uma reação as vezes com consequencias gravíssimas.

Um comentário:

segundavida disse...

Li com atenção e aprendi mais um pouco, o saber não ocupa lugar e tudo o que seja para bem da natureza também é para nosso bem. Belo artigo. Bjs.